segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Engenharia civil e demanda imobiliária: Relação em crise?


            Já há algum tempo, diversos fatores vinham contribuindo para o aumento na demanda por imóveis. Concessões de crédito, crescimento do poder aquisitivo populacional e programas sociais que facilitam a compra da casa própria, são alguns aspectos que representaram acréscimo nas oportunidades de negócio.
            Tudo isso impulsionou as atividades da Engenharia Civil. Construtoras ao longo de todo o Brasil concentraram seus esforços para atender às necessidades diretas e indiretas, que além da construção de edificações, envolvem o provimento de infraestrutura para atendimento das mesmas. Os lucros aumentaram, assim como os salários e as ofertas de emprego.
            Essa situação persistia já há alguns anos, porém, começou a sofrer certas modificações nos últimos meses. Não tem sido difícil encontrar imobiliárias e vendedores independentes com dificuldades de comercialização. Algumas construtoras já sentiram o impacto disso e ensaiam o início de uma crise. Especialistas apontam a tendência de desvalorização dos preços e os profissionais vinculados à construção civil já começam a apresentar incertezas quanto ao futuro do mercado.

As dificuldades de concepção dos empreendimentos

            No Brasil, a quantidade de profissionais disponível na construção civil, bem como a qualidade de uma grande parcela desses, não atendia à demanda de mercado durante o ápice da explosão imobiliária, tanto para cargos operacionais quanto para os de gerência. Isso impossibilitava e ainda impossibilita uma seleção criteriosa da mão de obra, provocando a utilização de indivíduos com baixa qualificação.
Além disso, os prazos para entrega das edificações se tornaram cada vez apertados. A soma desses fatores levou muitas construtoras à execução de um serviço de baixa qualidade e a atrasos nas entregas, ou seja, um grande volume de imóveis ruins e fornecidos fora dos períodos contratuais.
Essas situações passaram a ser comuns e provocaram/provocam a concepção de imóveis incompatíveis com os altos preços alcançados. Isso reduziu a credibilidade de muitas organizações e causou a retração das vendas, visto que a oferta aumentou muito, porém sem que fossem computadas reduções de valor e/ou aumento de qualidade.

A demanda de mercado e a integração produtiva


            O novo contexto é preocupante, principalmente quando associado às estatísticas, que já demonstram queda no percentual de valorização imobiliária em relação aos anos anteriores.
            As construtoras precisam de estratégias que direcionem sua produção e que garantam o atendimento de um mercado que vem se tornando cada vez mais exigente, graças à supervalorização dos preços e aumento da oferta. Não é questão de simplesmente criar muito, mas de desenvolver construções coerentes com o novo perfil de consumo e em tempo hábil. Isso pode parecer, em um primeiro momento, uma visão utópica dos fatos, porém não passa de uma necessidade.
            O contexto aponta para a integração da produção imobiliária com as necessidades verificadas nas corretoras. O foco em construções consideradas escassas, ou em características específicas valorizadas pelo público, e a reformulação de preços, de forma coerente com as possibilidades de aquisição no mercado atual, podem solucionar uma parte dos problemas encontrados e aumentar a eficiência no cumprimento dos objetivos tanto de quem faz quanto de quem vende.

O amadurecimento do mercado imobiliário

            Os fatos decorrentes da explosão imobiliária mostraram que o Brasil não estava preparado para o crescimento, tanto em termos técnicos quanto gerenciais. O poder de compra da população aumentou muito nos últimos anos, porém não ocorreu um planejamento adequado para suprir as necessidades do grande número de novos consumidores.
            Disso, podemos concluir que talvez seja o caso de repensar os processos que ditam a forma como as demandas de mercado são atendidas. A economia precisa de uma estruturação que equilibre cada fator e lide de forma adequada com os pontos de interseção dos setores produtivos.
A relação entre venda de imóveis e construção civil ilustra perfeitamente a importância disso e deverá ser tratada com a devida atenção para que futuramente seja viável trabalhar de acordo com as expectativas e necessidades dos clientes. Essa é uma tarefa complexa, possível apenas diante de uma perspectiva adequada do mercado e da formulação de projeções consistentes com a realidade futura.    

Fontes das imagens:

1ª imagem: 
http://www.politicaeconomia.com/2012/06/alugar-financiar-ou-comprar-um-imovel.html

2ª imagem:
http://www.granatum.com.br/dicas/os-6-principios-do-bom-atendimento-ao-cliente/


2 comentários:

  1. Bruno, eu acredito que os preços dos imóveis estejam atingindo um teto e tendem a se estabilizar. Tem que haver um limite para esses aumentos constantes. Senão, onde iremos parar?

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  2. Olá João!

    Concordo plenamente e, na realidade, eu acredito que alguns dos preços já se mostram abusivos. Creio que com o tempo uma reestruturação deve acontecer para que o mercado imobiliário fique adequado à condição do brasileiro!

    Obrigado pelo seu comentário!

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