segunda-feira, 31 de março de 2014

Para a Engenharia, é chegada a crise?

Para quem atua na área de Engenharia civil, a muito tempo se discute a possibilidade de uma crise. Preços exorbitantes de imóveis, oscilações na economia e aumento no número de indivíduos no segmento são apenas alguns dos aspectos que levaram profissionais a ficarem apreensivos sobre o futuro da profissão.
Diante disso, não é nenhuma surpresa o contexto atual. O número de ofertas de emprego já é bem reduzido em relação a alguns anos, os salários já começam a ficar menos atrativos, não é raro encontra imóveis vazios e as perspectivas para 2014, principalmente para o período pós Copa do Mundo, não são as melhores. No entanto, a palavra crise ainda é considerada inapropriada por muitos indivíduos. Será?

O que define um período de crise?


Muitos fatores podem levar à caracterização de uma crise. Desde o nível elevado de especulações à aspectos mais sérios, como falências, diversos fatores atestam a fragilidade de um mercado. Sendo assim, não podemos simplesmente rotular a condição atual brasileira, mas sim, apontar aquilo que chama a atenção e permitir ao leitor suas próprias conclusões.
No campo da Engenharia, no geral, foi percebido um movimento de desaceleração. É natural o processo cíclico do mercado, porém, o que assusta é a forma e a velocidade com que ocorreu. Setores que encontravam-se a todo vapor, como siderurgia e mineração, sofreram quedas repentinas e parte das empresas, algumas conhecidas mundialmente, tem tido dificuldades para se reestruturar.
No caso da Engenharia Civil, além das situações percebidas no dia a dia de quem atua na área, como demissões, dificuldades de recolocação profissional e redução no volume de novas obras, fatos objetivos são preocupantes.
A edição da revista Exame do mês de janeiro de 2014 destacou uma possível bolha imobiliária relacionada a imóveis comerciais, galpões e shoppings, onde destaca que a taxa de vacância atual é de cerca de 20%, ou seja, 1 em cada 5 imóveis comerciais, aproximadamente, encontra-se disponível. Além disso, ela destaca que já não existe muita disposição do mercado em pagar os preços pedidos pelos imóveis residenciais, que beiram o absurdo.
A única área que, aparentemente, vinha sem causar preocupação aos seus profissionais era a de óleo e gás, o que também sofreu certa reviravolta, devido à crise vivida pela Petrobrás.

O que vem pela frente
Diante das dificuldades apresentadas por alguns dos principais setores da economia brasileira temos motivos para, no mínimo, ficarmos atentos às oscilações do mercado. O que mais torna a situação complexa, no entanto, é a incerteza.
Convivemos hoje com um cenário no qual não temos propriedade para dizer qual rumo as coisas vão tomar, quanto tempo as dificuldades vão durar e nem qual a solução para elas. Estamos em posição apenas de nos qualificarmos ao máximo e de encontrar outras alternativas que mitiguem o risco de acabarmos obsoletos para o mercado.
Como já dito, o mercado vive de ciclos e da mesma forma que o auge da economia não poderia durar para sempre, o cenário desfavorável uma hora tem de mudar. Sendo assim, fiquemos na torcida para que seja apenas um momento passageiro e que nosso governo, alinhado à iniciativa privada, encontre caminhos que permitam a retomada do desenvolvimento econômico e uma situação favorável aos profissionais da área de Engenharia.

2 comentários:

  1. Ramali Engenharia - www.ramali.com.br

    A engenharia tem seu papel na sociedade mesmo em momentos de crise. Obsoletos não ficaremos, contudo o mercado vai filtrar e absorver apenas os profissionais necessários ao momento, devido ao próprio processo de oferta e demanda, o qual é diretamente influenciada pelo mercado tanto na área predial quanto industrial.

    Um olhar mais cuidadoso das oscilações do mercado, por parte das empresas, é necessário. Dessa forma, estas podem adaptar-se às novas regras. O mesmo vale para os profissionais. Não adianta ter grandes qualificações em um segmento frio!

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  2. Concordo com seu ponto de vista Rafael, no que se refere a esse processo de análise de mercado para um direcionamento eficaz. Quanto ao lugar da engenharia nos tempos de crise, o único problema é que, como a década de 80 mostrou, ele pode proporcionar um volume de trabalho tão reduzido que chegue a provocar uma migração de profissionais a outras áreas. Torçamos para que não chegue nesse ponto! Obrigado pelo comentário!

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