quinta-feira, 17 de setembro de 2015

AS BARREIRAS PARA A DIFUSÃO DE TECNOLOGIAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL NO BRASIL: PROTENSÃO

Na publicação do A Engenharia em Foco dessa semana contamos com um artigo da autora Livia Cristine, sobre protensão.

RESUMO

Este artigo tem como objetivo pontuar as dificuldades encontradas, no mercado brasileiro, para difundir uma nova tecnologia. O foco principal é dado à protensão.

Palavras-chave: Protensão. Novas tecnologias. Construção Civil. Inovação.

A inovação para o setor de construção civil pode ser entendida como um aperfeiçoamento tecnológico que objetiva melhorar o desempenho, qualidade ou custo do edifício (SABBATINI, 1989). Considerando esses aspectos, pode-se inferir que a inovação é uma vantagem competitiva, essencial no contexto de aumento da concorrência entre as empresas da área.

Uma das principais formas de aperfeiçoamento na construção civil se refere ao desenvolvimento de métodos construtivos que representem maior eficiência. A tecnologia de protensão é um ótimo exemplo, quando comparada ao concreto armado tradicional.

Conforme a norma NBR 6118/2007, concretos protendidos são: “Aqueles nos quais parte das armaduras é previamente alongada por equipamentos especiais de protensão com a finalidade de, em condições de serviço, impedir ou limitar a fissuração e os deslocamentos da estrutura e propiciar o melhor aproveitamento de aços de alta resistência no estado limite último (ELU) ”.


A aplicação do concreto protendido em obras tornou-se viável a partir da criação de materiais específicos para protensão, em 1939, pelo engenheiro francês Eugene Freyssinet. Com o término da Segunda Guerra mundial na Europa, a escassez de aço e a necessidade de reconstrução, o método de protensão ganhou força, visto que exigia menos aço do que as construções em concreto convencional. No Brasil a primeira obra em concreto protendido foi a ponte do Galeão, em 1948 no Rio de Janeiro. (SCHMID, 2008)

O método de protensão propicia vários benefícios, quando comparado ao concreto convencional, como a eliminação de vigas, o alcance de grandes vãos sem acrescentar no custo da estrutura, a mão de obra qualificada, uma estrutura mais leve, gerando alívio nas fundações, e uma montagem mais rápida e simplificada (PTE, 2015).

Apesar das vantagens desse método, ele não é tão utilizado quanto o concreto tradicional (SCHMID, 2009). Algumas causas para tal fato podem ser enumeradas, sendo algumas específicas da tecnologia e outras pertinentes a qualquer inovação:
  •            Falta de conhecimento da tecnologia pelo engenheiro (SCHMID, 2009);
  •      Tradicionalismo do concreto armado (SCHMID, 2009);
  •      Dificuldade para se adequar a padrões, normas e regulamentações (CRI MINAS, 2012);
  •      Cultura conservadora (CRI MINAS, 2012);
  •      Falta de mão de obra especializada disponível no mercado (CARAM e COTI-ZELATI, 2013).

Desta forma as barreiras impostas pelo mercado acabam retardando o aprimoramento de novas técnicas e dificultando, ou até mesmo desanimando, algumas empresas a encarar a protensão como um serviço vantajoso.

Referências

SABATINI, F.H. Desenvolvimento de métodos, processos e sistemas construtivos. São Paulo, 1989. Tese (Doutorado) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.

ABNT. NBR6118: Projeto de estruturas de concreto – Procedimento. Rio de Janeiro, 2003.4p.
Pós tensão Engenharia. Vantagens de utilização de protensão. Disponível em: http://www.pte.com.br/produtos. Acesso em: 06 de Setembro de 2015.

SCHMID, M.T. Lajes planas protendidas. 3.ed.rev. e ampl. São Paulo: Rudloff Sistema de Protensão Ltda, 2009. Publicação técnica. n.1.

SCHMID, M.R.L. Um pouco da história do uso do aço no concreto protendido no Brasil e no mundo. São Paulo: Rudloff Sistema de Protensão Ltda, 2008. Publicação técnica.

NASCIMENTO, A.V. Concreto Protendido. O uso da proteção não aderente em edifícios comerciais e residenciais. São Paulo, 2004. Monografia – Universidade Anhembi Morumbi.

PIOZEVAN, L.H. O papel da educação profissional na inovação tecnológica da construção civil. Inovação em construção civil. Instituto Uniemp. São Paulo, 2006. p 109-126.

NAKAMURA, J. Canteiro digital. Téchne, São Paulo, n182, p 56-60,maio 2012.

Fundação Dom Cabral, CRI Minas. Barreiras da Inovação. Minas Gerais, 2012.

CARAM, G.L. e COTI-ZELATI, P.E. O Impacto da inovação na mão de obra: um estudo sobre a construção civil no município de São Paulo. São Paulo, 2013. Fundação Armado Álvares Penteado e Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Sobre a Autora

Livia Cristine é Técnica em Edificações e estudante do último ano do curso de Engenharia Civil. Possui experiência em planejamento, controle e execução de obras. Atualmente está empenhada em atividades da área de protensão, que podem ser acompanhadas através do seu blog: Engenharia de Ideias. Seu e-mail para contato é: livia_gdr@hotmail.com.

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